Ex-diretor de estatal admite ter feito reuniões com delator
Em depoimento à Polícia Federal, o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró admitiu ter feito reuniões com o consultor Julio Camargo, o delator que afirmou ter pago propina em negócio de contratação de navios para a estatal.
Cerveró também disse acreditar que o empresário Fernando Soares ("Fernando Baiano"), apontado pelo Ministério Público como intermediador do suborno, obteve uma "comissão" em razão do contrato. O depoente negou porém, ter recebido qualquer quantia em virtude da negociação.
À PF, o ex-diretor também contestou a acusação de que tenha tentado blindar patrimônio obtido ilegalmente transferindo bens para familiares, motivo pelo qual foi preso na quarta (15) no Rio, quando voltava de Londres.
Em dezembro, Cerveró e Fernando Soares foram denunciados pelo Ministério Público Federal no Paraná com base principalmente na delação premiada de Camargo.
Segundo o consultor, Fernando Soares recebeu US$ 40 milhões de propina em 2006 e 2007 para viabilizar a contratação pela Petrobras de navios-sonda para perfuração em águas profundas com o estaleiro Samsung Heavy Industries, pelo valor de US$ 586 milhões.
De acordo com o Ministério Público, parte desse valor foi repassada para Cerveró.
No depoimento desta quinta, Cerveró afirmou que Julio Camargo participou de tratativas do negócio e se reuniu com ele para tratar do assunto.
O ex-diretor disse que Soares não participou das negociações sobre a contratação dos navios-sonda, mas afirmou acreditar que "o mesmo tenha feito algum tipo de tratativa com o empresário Júlio Camargo, presumindo que o último tenha recebido algum tipo de comissão quanto a esse negócio".
Cerveró relatou que conheceu Fernando Soares em 2000 e que o empresário "continuou frequentando a Petrobras representando outras empresas, tendo se dirigido a outras diretorias", como a de Abastecimento e a de Gás e Energia".
Ele também disse que mantinha "uma certa relação de amizade" com Soares.
O depoente afirmou aos investigadores que Soares representava empresas interessadas nos contratos, mas disse "não ter recebido ou lhe ter sido oferecida qualquer vantagem financeira" pela transação.
PRISÃO
No pedido de prisão contra Cerveró, a Procuradoria afirmou que em dezembro ele iniciou os trâmites para fazer o resgate de um plano de previdência privada no valor de R$ 463 mil para depois transferir para a filha dele.
Segundo instituição financeira responsável pela aplicação, o saque naquele momento levaria a uma perda de R$ 100 mil. O resgate não foi realizado.
No testemunho de quinta, Cerveró afirmou que "pensou em movimentar os seus recursos" para fazer gastos pessoais e que iria transferir os recursos para sua filha.
IMÓVEIS
A Procuradoria também citou como suspeitas as transferências de três imóveis de Cerveró para os filhos dele em meados do ano passado.
Cerveró afirmou que transferiu imóveis a seus filhos e a uma neta em maio de 2014 "como antecipação de herança", e que declarou o valor de compra dos imóveis na transação "para fins de imposto, embora saiba que o valor de mercado destes seja muito maior".
Cerveró também disse acreditar que o empresário Fernando Soares ("Fernando Baiano"), apontado pelo Ministério Público como intermediador do suborno, obteve uma "comissão" em razão do contrato. O depoente negou porém, ter recebido qualquer quantia em virtude da negociação.
À PF, o ex-diretor também contestou a acusação de que tenha tentado blindar patrimônio obtido ilegalmente transferindo bens para familiares, motivo pelo qual foi preso na quarta (15) no Rio, quando voltava de Londres.
| Daniel Derevecki - 14.jan.2015/Reuters | ||
| El ex director del área internacional de Petrobras, Nestor Cerveró, fue detenido este miércoles (14) |
Em dezembro, Cerveró e Fernando Soares foram denunciados pelo Ministério Público Federal no Paraná com base principalmente na delação premiada de Camargo.
Segundo o consultor, Fernando Soares recebeu US$ 40 milhões de propina em 2006 e 2007 para viabilizar a contratação pela Petrobras de navios-sonda para perfuração em águas profundas com o estaleiro Samsung Heavy Industries, pelo valor de US$ 586 milhões.
De acordo com o Ministério Público, parte desse valor foi repassada para Cerveró.
No depoimento desta quinta, Cerveró afirmou que Julio Camargo participou de tratativas do negócio e se reuniu com ele para tratar do assunto.
O ex-diretor disse que Soares não participou das negociações sobre a contratação dos navios-sonda, mas afirmou acreditar que "o mesmo tenha feito algum tipo de tratativa com o empresário Júlio Camargo, presumindo que o último tenha recebido algum tipo de comissão quanto a esse negócio".
Cerveró relatou que conheceu Fernando Soares em 2000 e que o empresário "continuou frequentando a Petrobras representando outras empresas, tendo se dirigido a outras diretorias", como a de Abastecimento e a de Gás e Energia".
Ele também disse que mantinha "uma certa relação de amizade" com Soares.
O depoente afirmou aos investigadores que Soares representava empresas interessadas nos contratos, mas disse "não ter recebido ou lhe ter sido oferecida qualquer vantagem financeira" pela transação.
PRISÃO
No pedido de prisão contra Cerveró, a Procuradoria afirmou que em dezembro ele iniciou os trâmites para fazer o resgate de um plano de previdência privada no valor de R$ 463 mil para depois transferir para a filha dele.
Segundo instituição financeira responsável pela aplicação, o saque naquele momento levaria a uma perda de R$ 100 mil. O resgate não foi realizado.
No testemunho de quinta, Cerveró afirmou que "pensou em movimentar os seus recursos" para fazer gastos pessoais e que iria transferir os recursos para sua filha.
IMÓVEIS
A Procuradoria também citou como suspeitas as transferências de três imóveis de Cerveró para os filhos dele em meados do ano passado.
Cerveró afirmou que transferiu imóveis a seus filhos e a uma neta em maio de 2014 "como antecipação de herança", e que declarou o valor de compra dos imóveis na transação "para fins de imposto, embora saiba que o valor de mercado destes seja muito maior".
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