Com paralisação em aeroportos, 9% dos voos são cancelados no país

  • Aeronautas se reúnem no saguão do aeroporto de Congonhas, na capital paulista
    Aeronautas se reúnem no saguão do aeroporto de Congonhas, na capital paulista
Pilotos, comissários de voo, agentes de aeroporto e outros funcionários do setor de aviação associados ao sindicatos dos Aeronautas e dos Aeroviários realizaram paralisação entre as 6h e as 7h desta quinta-feira (22) por melhores condições de trabalho.
Até as 10h, 66 voos tinham sido cancelados (8,7% do total) e 148 estavam atrasados (19,5%) em todo o país, segundo a Infraero, que administra a maioria dos aeroportos brasileiros.
O aeroporto de Congonhas (SP) foi um dos mais afetados pela paralisação, com 19 voos cancelados (27,9%) e 18 atrasados (26,5%). Aeroviários e aeronautas realizaram assembleia no saguão do aeroporto. No aeroporto de Guarulhos (SP), das 18 partidas programadas para o intervalo entre 6h e 7h, dez tiveram atraso maior de 30 minutos, mas nenhuma foi cancelada, segundo a empresa que administra o aeroporto. Um grupo realizou ato de protesto na entrada de serviço dos funcionários.
Santos Dumont (RJ) registrou 13 voos cancelados (26,5%) e 13 atrasados (26,5) até as 10h de hoje. A movimentação de passageiros não teve alterações por conta da presença de um grupo de aeroviários e aeronautas, que exibia cartazes e faixas com mensagens de protesto. As filas de check-in funcionavam normalmente.
Por volta das 7h30, os manifestantes começaram a recolher as faixas e cartazes. O protesto no saguão do aeroporto foi silencioso e não foi necessário mobilizar o esquema de segurança do aeroporto.  
No Galeão (RJ), houve registro de um cancelamento e atraso em sete voos. Um grupo de manifestantes fez uma passeata até a entrada do terminal, "sem prejudicar o trabalho no aeroporto", segundo informou a administração do terminal. No entanto, o protesto provocou um longo congestionamento, que se estendeu até a Linha Vermelha.
Segundo a presidente do SNA (Sindicato Nacional dos Aeroviários), Selma Balbino, em todo o país, houve uma adesão de cerca de 70% da categoria. Somente no Rio, na versão da sindicalista, a adesão teria chegado a 90%.
Na quarta-feira (21), o TST (Tribunal Superior do Trabalho) determinou que os sindicatos envolvidos na paralisação mantivessem 80% dos profissionais trabalhando durante o protesto e, caso descumpram a determinação, serão multados em R$100 mil por dia. A presidente do SNA afirmou não temer a possível aplicação de uma multa.
Selma informou ainda que o sindicato foi chamado para uma audiência de conciliação na sede do TST, em Brasília, nesta sexta-feira (23), às 14h30. Até lá, as categorias devem realizar em seis aeroportos pelo país assembleias permanentes, começando hoje à tarde, de acordo com a sindicalista. Se não houver acordo na audiência de conciliação, os trabalhadores podem votar por uma greve por tempo indeterminado.
"A paralisação que fizemos nesta manhã foi uma paralisação de advertência. (...) A gente não quer negociar através da Justiça, e sim diretamente com os patrões. Mas se eles não cederem, a greve por tempo indeterminado não está descartada", explicou.
Em nota, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) e o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) informam que a paralisação "teve, em consequência das ações gerenciais adotadas pelo setor, um impacto mínimo junto aos passageiros".
"No entanto, ainda assim o movimento impactou mais de 20% da operação prevista, não garantindo um efetivo mínimo de 80% dos colaboradores, estabelecido pelo judiciário", diz o texto.

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