Ato contra tarifas em SP tem rojões, bombas de gás e balas de borracha

Perto de seu final, o protesto desta sexta-feira (23) contra o aumento das tarifas de transporte em São Paulo teve um grande tumulto na região central da capital paulista. A PM (Polícia Militar) alega que rojões foram disparados de um prédio situado na rua Conselheiro Crispiniano, perto do Theatro Municipal. A corporação atirou bombas de gás e balas de borracha contra os manifestantes. A reportagem avistou uma pessoa ferida. Um repórter do jornal "O Estado de S.Paulo" levou uma bala na perna e também ficou ferido. Quatro suspeitos de atirar rojões foram detidos e levados ao 2º Distrito Policial. 
A ação policial dividiu a passeata, e muitos manifestantes se dispersaram. O MPL (Movimento Passe Livre), que organizou o ato, diz que não houve confronto e que só a PM atacou. De acordo com a "TV GloboNews", três agências bancárias foram depredadas.
A PM estimava em 3.000 o número de manifestantes. O MPL falou na presença de mais de 10 mil pessoas. Um grupo ligado ao MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) participou da manifestação.
Durante a concentração, na praça Ramos de Azevedo, em frente ao Theatro Municipal, manifestantes colocaram fogo em uma catraca. A passeata começou por volta de 18h15 e avançou pelo viaduto do Chá, onde fica a sede da prefeitura, e pela rua Direita, onde comerciantes fecharam as lojas, e policiais fizeram um cordão de isolamento para proteger as portas.
O trajeto foi definido em assembleia e também teve a concordância da Polícia Militar. O efetivo da PM para acompanhar o protesto foi de 1.100 soldados. A corporação procurou fazer um cordão em torno da passeata e posicionar-se em pontos estratégicos para evitar desvios de trajeto. 
Sob chuva, os manifestantes passaram pela rua Boa Vista, onde ficam as sedes da Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos, da Secretaria Municipal de Transportes e da SPTrans, empresa municipal responsável pela gestão do sistema de ônibus da capital paulista.
Eles fizeram uma parada em frente à Câmara Municipal, no viaduto Jacareí. Em frente ao Legislativo, manifestantes tentaram ocupar a segunda pista do viaduto, mas foram impedidos pelos policiais. Neste ponto, também houve um princípio de tumulto depois de uma bandeira do Brasil ser queimada.
A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e a PM bloquearam o trânsito em diversas vias. Acessos a estações de metrô também foram fechados. A marcha terminaria no cruzamento das avenidas Ipiranga e São João.
Os preços das passagens de ônibus, metrô e trem subiram de R$ 3 para R$ 3,50 no começo de janeiro.
Este foi o quarto protesto do ano organizado pelo MPL. Os dois primeiros aconteceram na região central da capital paulista e também não chegaram ao fim. Houve confrontos, e manifestantes ficaram feridos. A PM deteve dezenas de pessoas.
O terceiro, realizado na última terça-feira (20) na zona leste da capital paulista, transcorreu de forma pacífica. Na dispersão, houve um tumulto na estação Belém do Metrô.

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