Campos diz que pedirá ajuda de estados e municípios para passe livre
Candidato participou de série de entrevista do G1 com presidenciáveis. Ele disse que criará um fundo nacional para dar passe livre a estudantes.
11/08/2014 11h51 - Atualizado em 11/08/2014 12h17
Do G1, em Brasília
Eduardo Campos conversa com jornalistas no estúdio do G1 (Foto: Caio Kenji/G1)Eduardo Campos conversa com jornalistas no estúdio do G1 (Foto: Caio Kenji/G1)
O candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, afirmou nesta segunda-feira, em entrevista ao vivo ao G1, que estados e municípios terão de dar uma contrapartida para um fundo nacional que pretende criar para financiar passe livre para estudantes de escolas públicas.
Segundo ele, se ele for eleito, esse fundo terá contribuição do governo federal e pelo menos 10% de contrapartida de estados e municípios que aderirem.
"Assumimos o compromisso com o passe livre porque o compromisso com o passe livre é um compromisso com a educação. O passe livre já é dado para quem tem mais de 60 anos.
Vamos criar um fundo nacional. Os municípios e estados que têm transporte coletivo se candidatam. Vai ter uma contrapartida de 10% dos estados e municípios para esse fundo", declarou.
No site da campanha, a proposta de Campos prevê que a União assumirá a maior parte da responsabilidade (70%), os governos estaduais, 20%, e municípios, 10%. A estimativa é que esse fundo acumule R$ 12 bilhões para financiar o passe livre.
Durante cerca de 45 minutos, o presidenciável, que chegou à redação do G1acompanhado da candidata a vice Marina Silva, respondeu a perguntas de internautas e do portal, em três blocos, conduzidos pelos jornalistas Tonico Ferreira, da TV Globo, e Nathalia Passarinho, do G1. A ordem dos entrevistados (veja ao final desta reportagem) foi definida por sorteio na presença de representantes dos partidos de todos os candidatos. A candidata sorteada para o primeiro dia (28 de julho), a presidente Dilma Rousseff, não compareceu por problemas de agenda, segundo a assessoria do Palácio do Planalto. Além de Campos, já foram entrevistados Zé Maria (PSTU), Aécio Neves (PSDB) e Mauro Iasi (PCB). O próximo, na quinta-feira, é Rui Costa Pimenta (PCO).
Inflação e 7 a 1
O presidenciável afirmou que, para combater a inflação, pretende primeiro levar o índice para o centro da meta (4,5% – atualmente, está em 6,5%) e depois "ir adiante", tentando se aproximar dos 3%.
"O que eu falo é que países vizinhos ao nosso têm inflação desse tamanho. Nós precisamos é que com a boa governança coloquemos a inflação na meta dos 4,5 para depois ir adiante. Coordenar a política fiscal e vencer a crise de confiança", declarou. Ele disse que o atual governo teve "três anos de idas e vindas" e demonstrou "desconfiança" da iniciativa privada. " A incerteza fez o Brasil parar", declarou.
O candidato reiterou a comparação que vem fazendo durante a campanha de que o Brasil "está perdendo de 7 a 1", em alusão à derrota da seleção brasileira para a da Alemanha na Copa do Mundo. "É é 7 de inflação e de outro lado o crescimento está abaixo de 1. Nós vamos botar o Brasil para voltar a crescer", afirmou. "O Filipão botou [os 7 a 1] no campo e a Dilma, na vida real", comparou.
Eduardo Campos prometeu ainda que, caso seja eleito, o país terá um Banco Central "mais independente". Segundo ele, isso facilitará a redução da taxa de juros e ajudará a política cambial.
"Temos um compromisso com tripé macroeconômico. Algumas pessoas acham que só a taxa de juros vai resolver, mas não resolve o problema da inflação. O câmbio valorizado prejudica as exportações. Teremos um conselho de responsabilidade fiscal no país para garantir o equilibrio fiscal, um Banco Central mais independente. Os juros vão entrar numa descendente, e o câmbio vai para o lugar certo", declarou.
Indagado por um internauta sobre o fator previdenciário, critério que reduz o valor da aposentadoria para quem se aposenta mais cedo, Eduardo Campos afirmou que não se pode equilibrar as contas da Previdência em cima de um único segmento. Ele disse que está estudando uma proposta que apresentará até o fim da campanha.
"Nossa equipe tem discutido o fator previdenciário. Não se pode permitir equilibrar a previdência em cima de um segmento. Há um fato bom, que as pessoas estão vivendo mais. [...] O fator previdenciário está corroendo em alguns casos, pela metade das pensões. É preciso um olhar para rever o fator previdenciário. Estamos fazendo contas e até o final da campanha vamos conversar sobre isso", declarou.
Marina Silva
Campos foi pergundo por um leitor sobre o motivo pelo qual a candidata a vice, Marina Silva, não concorre a presidente no lugar dele. Como a criação de seu partido, a Rede Sustentabilidade, não foi aprovada pela Justiça Eleitoral a tempo de ela concorrer, Marina Silva se filiou ao PSB. Nas eleições de 2010, ela recebeu mais de 19 milhões de votos. Pesquisas eleitorais feitas no ano passado indicaram Marina com até 16% das intenções de voto para esta eleição, mais do que Campos tem atualmente (9%, segundo a mais recente pesquisa Ibope).
O candidato afirmou, em relação a Marina, que não existe transferência de voto. "Cada um tem um voto. Não leva como se fosse uma caixa na mudança", afirmou. "Temos um projeto para o país, para melhorar o Brasil, porque o Brasil parou de melhorar, começou a piorar de maneira acelerada. Marina procurou construir um partido para renovar, que foi a Rede, que teve que enfrentar todas as questões [...]. No últmo dia, em que a Rede não obteve registro, a Marina nos procurou, procurou o PSB, para que a gente construísse programa para melhorar a política", disse.
Ex-aliado do PT
Ao ser perguntado sobre se "mudou de lado", ao ter deixado o governo do PT, Campos disse que tomou "atitude de coragem" ao sair do governo e criticou a relação de Dilma com os ex-presidentes Fernando Collor e José Sarney e com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que, segundo ele, "ganharam protagonismo" na gestão dela.
"Eu não mudei de lado. Nunca na minha vida mudei de lado. Sempre fui eleito pelo mesmo partido. Na vida, às vezes, temos que tomar atitude de coragem, e foi a atitude de coragem que tomei. É que o país vinha mudando e parou de mudar no governo da presidente Dilma."
Os próximos entrevistados da série do G1com os presidenciáveis são os seguintes:
- 14 de agosto: Rui Costa Pimenta (PCO)
- 18 de agosto: Pastor Everaldo (PSC)
- 22 de agosto: Levy Fidelix (PRTB)
- 25 de agosto: Eymael (PSDC)
- 28 de agosto: Eduardo Jorge (PV)
- 1º de setembro: Luciana Genro (PSOL)
Veja a íntegra da entrevista de Eduardo Campos bloco a bloco:



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